DTM significa Disfunção da Articulação Temporomandibular. É um problema que afeta a articulação temporomandibular (ATM), os músculos usados para mastigar e os tecidos ao redor.
O que é ATM?
A ATM é a articulação que conecta a mandíbula (o osso inferior da boca) ao crânio, bem na frente dos ouvidos. Ela funciona como uma dobradiça, permitindo que você abra e feche a boca, mastigue, fale e engula. É uma das articulações mais complexas do corpo.
Como encontrar a ATM?
Coloque os dedos na frente de cada ouvido e abra e feche a boca. Você sentirá a mandíbula se mexer. Essa área pode ser sensível, então pressione com leveza para evitar desconforto.
O que acontece na DTM?
Quando a ATM, os músculos da mastigação ou os tecidos ao redor não funcionam bem, isso é chamado de DTM. Esse problema pode causar dor, dificuldade para movimentar a mandíbula e outros sintomas que prejudicam o dia a dia.
A DTM pode causar diversos sintomas, como:
A dor pode ser temporária (aguda) ou constante (crônica). Nos casos crônicos, é comum que outras condições, como dores associadas, impactem ainda mais a qualidade de vida, dificultando o trabalho e as interações sociais.
O que pode causar a DTM?
A DTM não é uma única doença, mas um grupo de mais de 30 condições que afetam a ATM, os músculos da mastigação e tecidos relacionados. As causas podem incluir:
A DTM é considerada uma condição multifatorial, ou seja, pode ser desencadeada por um único fator ou pela combinação de vários.
Como é feito o diagnóstico da DTM?
O diagnóstico começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas, o histórico do paciente e um exame clínico. Em alguns casos, exames de imagem ajudam a confirmar ou descartar outras condições.
O profissional também identifica bandeiras vermelhas, que são sinais de alerta para problemas mais graves, como:
Além disso, é essencial considerar outras possíveis causas dos sintomas, como dores de dente, sinusite, problemas cervicais ou neuralgias. Um diagnóstico cuidadoso e personalizado é fundamental para garantir o tratamento correto.
Por que o diagnóstico é complexo?
A DTM tem causas e sintomas variados, que podem ser físicos, emocionais ou psicológicos. Isso exige uma abordagem individualizada para oferecer o melhor cuidado e tratar cada paciente de forma integral.
Os tipos mais comuns são:
1. DTM Muscular (Mialgia Mastigatória)
2. DTM Articular
3. Combinação de Tipos
É possível que uma pessoa tenha mais de um tipo de DTM ao mesmo tempo, o que exige um diagnóstico preciso para direcionar o tratamento.
O tratamento é personalizado de acordo com o tipo de DTM e seus sintomas.
De uma forma geral:
A maioria dos casos de DTM está relacionada à ação do sistema nervoso central, que influencia os traumas musculares e articulares. Por isso, o tratamento deve incluir:
Não é normal, mas é frequente. O contato sustentado entre os dentes, conhecido como parafunção oral (como o apertamento dentário), pode ser um hábito prejudicial à saúde bucal e muscular.
É fisiológico encostar os dentes brevemente durante a deglutição e isso tem um papel importante na drenagem dos seios da face. Ocorre que os dentes devem permanecer ligeiramente afastados no restante do tempo. Esse espaço natural é chamado de espaço funcional livre (cerca de 3 a 4 mm).
Manter os dentes em contato de forma inconsciente pode ser um sintoma de bruxismo de vigília, que, associado ao estresse ou concentração, contribui para dores orofaciais, desgaste dental e tensão nos músculos da mastigação.
Nos últimos anos, o conceito de bruxismo mudou significativamente. Antes, acreditava-se que o bruxismo era apenas o ato de ranger os dentes durante o sono. Porém, pesquisas mais recentes mostraram que ele pode ocorrer tanto enquanto dormimos quanto enquanto estamos acordados.
Agora, entendemos que o bruxismo não é necessariamente uma doença, mas sim uma atividade muscular que pode estar ligada a outras condições ou até desempenhar um papel protetor para o organismo em algumas situações.
De acordo com o consenso de especialistas de 2018 (1):
Em resumo, o bruxismo é mais complexo do que imaginávamos e precisa ser avaliado de acordo com o contexto de cada pessoa, levando em conta fatores como saúde geral, hábitos e possíveis condições subjacentes.
Lobbezoo F, Ahlberg J, Raphael KG, Wetselaar P, Glaros AG, Kato T, Santiago V, Winocur E, De Laat A, De Leeuw R, Koyano K, Lavigne GJ, Svensson P, Manfredini D. International consensus on the assessment of bruxism: Report of a work in progress. J Oral Rehabil. 2018 Nov;45(11):837-844. doi: 10.1111/joor.12663. Epub 2018 Jun 21. PMID: 29926505; PMCID: PMC6287494.
O apertamento dentário é, na verdade, uma forma de bruxismo. Hoje, entendemos o bruxismo de maneira mais ampla: não é preciso estar apertando ou rangendo os dentes para que ele aconteça. Por exemplo, se você mantém os músculos da mandíbula contraídos por muito tempo, mesmo sem encostar os dentes, isso já é considerado bruxismo. Ou seja, o bruxismo não depende do contato entre os dentes, mas também de como os músculos mastigatórios estão sendo usados. incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation.
Os especialistas ainda não têm certeza sobre o que causa o bruxismo. Porém, eles acreditam que o estresse e certos traços de personalidade podem estar ligados a esse hábito. Muitas vezes, o bruxismo afeta pessoas que estão nervosas, como aquelas que sentem raiva, dor ou frustração. Também é comum entre pessoas que são muito agressivas, apressadas ou competitivas.
Além disso, há indícios de que, em algumas pessoas, o bruxismo pode ser causado por um desequilíbrio nos neurotransmissores do cérebro, que são substâncias químicas que ajudam na comunicação entre as células nervosas.
Alguns medicamentos, especialmente antidepressivos como fluoxetina, sertralina e paroxetina, também podem levar ao bruxismo. Outros fatores que podem estar relacionados incluem problemas de refluxo gastroesofágico, respiração pela boca e apneia obstrutiva do sono, que é uma condição em que a respiração para brevemente enquanto a pessoa dorme.
Essa é uma dúvida comum, mas a resposta depende de vários fatores. Vamos pensar de forma prática: se conseguirmos identificar uma causa específica para o bruxismo, como o uso de um medicamento que provoca esse efeito colateral, podemos ajustar ou interromper o uso da medicação e, assim, resolver o problema. O mesmo vale para outras causas, como apneia obstrutiva do sono ou respiração pela boca. Se tratarmos a causa, é possível reduzir ou até eliminar o hábito de apertar os dentes.
Por outro lado, quando o apertamento está ligado ao estresse ou à ansiedade, a situação é mais complexa. Muitas vezes, contraímos os músculos da mandíbula sem perceber, como um reflexo da tensão emocional que estamos enfrentando. É algo automático: quando estamos estressados, nossa respiração se torna mais curta, e o sistema nervoso entende isso como um sinal de alerta. Nesse estado de alerta, o corpo se prepara para “lutar ou fugir”, ativando os músculos, incluindo os da mastigação.
Então, a pergunta é: podemos sair desse estado de alerta e permitir que os músculos relaxem? Sim, é possível, mas exige atenção e um esforço consciente para quebrar esse padrão. O primeiro passo é perceber que isso está acontecendo. Depois, é preciso adotar técnicas de condicionamento, como exercícios para relaxar a mandíbula e estratégias para lidar com o estresse.
Pense assim: uma pessoa que rói as unhas por ansiedade não está condenada a esse hábito para sempre. Da mesma forma, o bruxismo em vigília é um hábito parafuncional que pode ser controlado. Tudo começa com a conscientização do processo e o aprendizado de novas formas de reagir ao estresse.
Se você entendeu o que leva a contrair os músculos da mastigação, pode aprender a relaxá-los. Aqui vai um exercício simples:
Pronto! Essa é a posição de relaxamento da musculatura mastigatória. Praticando isso com frequência, você pode ajudar a reduzir o hábito de apertar os dentes.