Por que o bruxismo ocorre? Como se relaciona com o estresse?
A revisão de Pavlou e colaboradores destaca que o bruxismo tem forte ligação com o estresse psicológico, ansiedade e alterações no sistema de excitação cortical. Durante períodos de maior carga emocional, o sistema nervoso central tende a permanecer em maior estado de alerta, aumentando a atividade muscular involuntária — inclusive na região orofacial.
Em outras palavras:
👉 quanto mais estressado o indivíduo, maior a chance manter a musculatura tensa, apertar ou ranger os dentes, seja durante o dia ou durante o sono.
Além disso, fatores como privação ou fragmentação do sono, tensão muscular generalizada e hiperatividade do sistema nervoso autônomo também participam desse processo.
A maioria das pessoas não percebe que tem bruxismo
Um ponto central trazido por Pavlou e colaboradores é que o bruxismo, especialmente o bruxismo do sono, é pouco percebido pela própria pessoa.
Grande parte dos indivíduos só descobre o problema quando:
- desenvolve dor na mandíbula ou na face,
- apresenta sensibilidade dental,
- o dentista nota facetas de desgaste,
- ou quando alguém relata ouvir ranger durante a noite.
Essa falta de percepção faz com que o bruxismo avance silenciosamente, aumentando o risco de dor orofacial, DTM, cefaleias e problemas funcionais.
Verhoeff, Merel C et al. “Updating the Bruxism Definitions: Report of an International Consensus Meeting.” Journal of oral rehabilitation vol. 52,9 (2025): 1335-1342. doi:10.1111/joor.13985