Bruxismo e DTM: Novos Conceitos e Atualizações Importantes

Bruxismo e DTM: Novos Conceitos e Atualizações Importantes

Nos últimos anos, o bruxismo tem sido um tema cada vez mais discutido por dentistas, pesquisadores e profissionais da saúde. Esse aumento de interesse não é à toa: entender o bruxismo é fundamental para o diagnóstico e tratamento de problemas como a Disfunção Temporomandibular (DTM).

Recentemente, um grupo internacional de especialistas publicou uma atualização importante sobre as definições de bruxismo, fruto de um consenso mundial (Verhoeff et al., 2025). Esse novo documento busca esclarecer pontos que geravam dúvidas entre profissionais e pacientes.

O que é Bruxismo?

De forma geral, o bruxismo é definido como uma atividade repetitiva dos músculos da mastigação, que pode ocorrer tanto durante o sono (bruxismo do sono) quanto durante a vigília (bruxismo em vigília).

O bruxismo do sono envolve contrações musculares que podem ser rítmicas (fásicas) ou não rítmicas (tônicas). Já o bruxismo em vigília é caracterizado por contatos dentários repetitivos ou sustentados, ou ainda por movimentos de tensionamento (bracing) ou empurramento da mandíbula (thrusting).

Uma mudança importante nesta nova definição foi a remoção da expressão “em indivíduos saudáveis”. Agora, o bruxismo pode ser descrito e avaliado em qualquer pessoa, independentemente de outras condições de saúde.

Bruxismo é doença?

Um dos pontos mais reforçados pelo novo consenso é que o bruxismo não é uma doença, mas sim um comportamento motor. Ele pode estar presente em indivíduos com ou sem outras condições clínicas e pode ter diferentes impactos sobre a saúde bucal e geral.

Como atua o bruxismo?

Fator de risco: quando está associado a consequências negativas, como dor na articulação temporomandibular ou desgaste dentário.

Fator protetor: por exemplo, em casos de apneia do sono, o bruxismo pode ajudar a manter as vias aéreas abertas.

Fator neutro: quando não traz consequências clínicas relevantes.

Bruxismo: Diagnóstico ou Avaliação?

Outro esclarecimento importante é que o bruxismo não deve ser “diagnosticado” como uma doença, mas sim “avaliado” como um comportamento. O objetivo da avaliação é entender a frequência, a intensidade e, principalmente, os efeitos desse comportamento no paciente.

Como avaliar bruxismo?

Existem três formas principais de avaliar o bruxismo:

  • Baseado no paciente (autorreporte): quando o próprio paciente relata os sintomas ou hábitos.
  • Baseado na clínica: observação de sinais como desgaste dentário, marcas na língua ou bochecha.
  • Baseado em aparelhos: como polissonografia ou eletromiografia, que medem a atividade muscular de forma objetiva.

A escolha do método depende da necessidade clínica e do objetivo da avaliação.

Quando Tratar Bruxismo?

O tratamento do bruxismo só é necessário quando há consequências negativas para o paciente. Por exemplo: dor, limitações funcionais, ou quando o bruxismo é um sinal de alguma doença que exige intervenção médica (como no caso de distúrbios do sono).

Por outro lado, é importante lembrar que nem todo bruxismo precisa de tratamento! Em alguns casos, ele pode até ter um papel protetor.

Perspectivas Futuras

O artigo também destaca a necessidade de integrar essas novas definições nos currículos de odontologia, na prática clínica e em futuras pesquisas. Ainda há muitas perguntas abertas, principalmente sobre a relação entre o bruxismo e outros distúrbios do sono e sobre como melhor individualizar o manejo de cada paciente.

👉 Conclusão: A compreensão do bruxismo evoluiu! Hoje, ele é visto como um comportamento com diferentes impactos, que precisa ser avaliado de forma criteriosa. Para profissionais que lidam com DTM, essas novas diretrizes trazem mais segurança na abordagem ao paciente.

📚 Referência:

Verhoeff MC, Lobbezoo F, Ahlberg J, et al. Updating the Bruxism Definitions: Report of an International Consensus Meeting. J Oral Rehabil. 2025;0:1–8. https://doi.org/10.1111/joor.13985

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